Mara Gama | Prefeitura de São Paulo quer despejar cooperativa de recicláveis

História da Coopamare em Pinheiros

A Coopamare, oficialmente chamada de Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, é um marco na história da reciclagem em São Paulo. Fundada em 1989, a cooperação tem sua sede situada na rua Galeno de Almeida, 659, localizada sob o viaduto Paulo 6º, na zona Oeste da cidade. Com 37 anos de trajetória, a Coopamare não apenas se consolidou como a mais antiga cooperativa de reciclagem do Brasil, mas também se tornou um símbolo de inclusão social e sustentabilidade na região de Pinheiros.

A atuação da Coopamare é essencial para a coleta e triagem de materiais recicláveis, como papelão, plásticos, latas e vidros, beneficiando a comunidade local através da geração de empregos e do fornecimento de renda para seus associados. A cooperativa é conhecida por seu comprometimento com o meio ambiente e a promoção de ações que estimulam a reciclagem e a conscientização sobre a importância da preservação ambiental.

O Papel dos Catadores na Sociedade

Os catadores, representados pela Coopamare, desempenham um papel fundamental na gestão de resíduos sólidos urbanos. Eles não apenas realizam a triagem dos materiais recicláveis, mas também contribuem significativamente para a diminuição da quantidade de resíduos enviados aos aterros sanitários. Em São Paulo, cerca de 100 toneladas de recicláveis são coletadas semanalmente pela Coopamare, o que demonstra a importância da cooperativa e de seus catadores no processo de reciclagem.

despejo da coopamare

Além de suas atividades práticas, os catadores promovem ações de educação ambiental nas comunidades, contribuindo para uma maior conscientização sobre a importância da reciclagem. Eles atuam como agentes de transformação social, trazendo melhorias práticas e sociais para seus bairros.

Consequências do Despejo Para a Comunidade

A decisão da Prefeitura de São Paulo de desocupar a área ocupada pela Coopamare gera preocupações não apenas para os associados da cooperativa, mas para toda a comunidade de Pinheiros. O deslocamento forçado da cooperação resultaria na perda de empregos para os catadores e em um impacto significativo na arrecadação de recicláveis, pois as novas localidades propostas são desprovidas de infraestrutura e distante de suas redes de abastecimento.

Essa mudança não apenas prejudica os catadores em termos econômicos, mas também afeta a eficiência da coleta seletiva na região, podendo aumentar o volume de resíduos recicláveis descartados de maneira inadequada. Além disso, a desocupação poderia afetar diretamente a relação da cooperativa com a comunidade, que há anos conta com seus serviços.

Movimentos de Apoio à Coopamare

Diante da ameaça de despejo, diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil se mobilizaram em apoio à Coopamare. No dia 4 de julho de 2026, um abraço solidário foi realizado em torno da cooperativa para manifestar apoio e exigir a permanência dos catadores em sua área de trabalho.

Uma petição online, que já conta com milhares de assinaturas, foi criada com o objetivo de pressionar a Prefeitura a rever sua decisão e garantir os direitos dos catadores. Os apoiadores destacam a importância da Coopamare para a sustentabilidade e a inclusão social, e ressaltam que sua desocupação seria um retrocesso nas conquistas sociais da comunidade.

Alternativas Propostas pela Prefeitura

A Subprefeitura de Pinheiros ofereceu quatro locais alternativos para a Coopamare, mas todos estão localizados a uma distância mínima de 6 km da atual sede, o que dificultaria a continuidade dos serviços prestados. Uma das propostas incluem um espaço localizado sob um viaduto na avenida Berrini, mostrando que as alternativas não consideram a viabilidade operacional das atividades dos catadores.



Eduardo de Paula, diretor da Coopamare, argumenta que as novas localidades são inaceitáveis devido ao espaço reduzido e à falta de acesso adequado para realizar a coleta e triagem dos materiais. Ele destaca que o local atual é estratégico, permitindo que a Coopamare atenda a um amplo território, que inclui regiões como Sumaré, Jardim das Bandeiras e Pacaembu, entre outras.

Desafios na Recolocação dos Catadores

Relocalizar a Coopamare em uma nova área traz uma série de desafios logísticos e operacionais. Além da distância, o retorno ao trabalho ocorreria sob condições precárias, sem a infraestrutura necessária. Sem as adaptações adequadas, a capacidade de trabalho da Coopamare seria afetada, e o atendimento a comunidade ficaria em risco.

Os catadores, que já enfrentam dificuldades econômicas, veriam suas condições de trabalho diminuírem ainda mais. A falta de um ambiente adequado e seguro para o trabalho comprometeria a qualidade das atividades, impactando a saúde e segurança dos associados.

Impacto Ambiental do Despejo

A desocupação da Coopamare traria também graves consequências para o meio ambiente. A redução na coleta de recicláveis aumentaria o volume de massa de resíduos nos aterros, gerando um impacto negativo na gestão de resíduos na cidade. A atividade dos catadores é fundamental não só na coleta, mas também na execução da política de sustentabilidade da cidade.

Ao desestabilizar a operação de uma cooperativa com um histórico de contribuições para a reciclagem, a Prefeitura pode estar causando danos irreparáveis em iniciativas voltadas à preservação ambiental e à educação socioambiental das comunidades, sobrecarregando ainda mais a natureza e os espaços urbanos rapidamente.

Opiniões da Sociedade Civil

A sociedade civil se mostra amplamente contra a desocupação da Coopamare. Diversas expressões de apoio, incluindo artigos, opiniões e declarações públicas evidenciam a importância da cooperativa para a saúde social e ambiental da cidade. Os cidadãos defendem que o espaço deve ser melhorado, ao invés de extinto.

Organizações que visam a promoção da inclusão social e a proteção ambiental, como o Movimento Nacional dos Catadores, apresentam evidências de que a Coopamare é vital para a implementação de políticas públicas voltadas à reciclagem e desenvolvimento sustentável.

O Que É Necessário Para a Permanência?

Para garantir a permanência da Coopamare, há necessidade de um reestudo das práticas de gestão pública que envolvem as cooperativas. A reabertura do diálogo entre a cooperativa e o poder público é imprescindível para alcançar um entendimento que priorize a inclusão social e a sustentabilidade.

A obtenção de um novo Termo de Permissão de Uso (TPU) para a Cooperativa é essencial. Esse novo documento deve assegurar a continuidade das atividades e proporcionar melhorias na infraestrutura do local atual, ao invés de apenas abandoná-lo em favor de novas áreas que não atendem às necessidades da comunidade.

O Futuro da Reciclagem em São Paulo

A situação da Coopamare reflete um desafio maior enfrentado por cooperativas de catadores em São Paulo. Para que a cidade se torne mais sustentável, é crucial rever e implementar o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (Pgirs), que prevê a presença de uma cooperativa de reciclagem em cada distrito da cidade.

O fortalecimento e reconhecimento das cooperativas como essenciais para a política de gestão de resíduos sólidos é fundamental. Somente assim podemos esperar um futuro onde a coleta seletiva se torne a norma, garantindo a participação ativa dos catadores no processo de reciclagem e, consequentemente, na preservação do meio ambiente.



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