A Praça Igarapé está em obras no centro de uma quadra de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A família de Alfredo Setubal pretende doar o espaço à cidade, com entrega prevista para o início de 2027.
A formação da área começou em 2019, quando a família passou a adquirir terrenos no quarteirão delimitado por quatro ruas. O projeto foi anunciado no início de 2026 e ganhou visibilidade com tapumes que traziam a frase “não é prédio, é praça”.
O escritório FGMF assina a arquitetura, e o paisagismo é de Rodrigo Oliveira. Segundo Lourenço Gimenes, sócio-fundador do FGMF, o desenho busca criar passagens entre ruas e áreas com diferentes características.

Em um bairro marcado pela verticalização e com poucas praças, a proposta combina jardins, espaços de convivência e atividades culturais. O projeto também prevê usos comerciais e áreas voltadas a crianças, em conexão com o entorno de Pinheiros.
Desenho da praça integra passagens, comércio e atividades culturais
A área da Praça Igarapé tem cerca de 784 metros quadrados, enquanto a área construída prevista soma 1.400 metros quadrados. O traçado em formato de “T” ocupa o interior da quadra e estabelece acessos por duas ruas.
Segundo Lourenço Gimenes, sócio-fundador do FGMF, a disposição cria passagens entre vias e bolsões com diferentes características. Cada acesso e cada área de convivência terá uma atividade como referência, articulando usos distintos no mesmo espaço.
Pela Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, a praça se conecta ao comércio de rua e terá uma livraria. No centro, a programação artística contará com auditório e espaço para apresentações no subsolo, além de arquibancadas externas.
Outra área será destinada à gastronomia, com espaço previsto para restaurante ou café e reserva para uma cozinha de maior capacidade; o contrato de locação ainda não foi fechado. Já no acesso pela Rua Artur de Azevedo, haverá mobiliário infantil, e elementos de madeira estarão presentes no desenho da praça.
Paisagismo denso e características do entorno de Pinheiros
O paisagismo prevê canteiros e jardins de vegetação densa, com arbustos nativos e árvores exóticas cultivadas há bastante tempo no Brasil. Entre as espécies mencionadas está a Sete Copas africana, escolhida, segundo o paisagista Rodrigo Oliveira, também por permitir futuras expansões.
Oliveira afirma que, pela legislação atual, uma árvore nativa plantada não pode ser retirada posteriormente. Essa condição, de acordo com o paisagista, poderia dificultar ampliações; por isso, o projeto inclui espécies exóticas já usadas no país.
Uma mudança de zoneamento aprovada em 2024 limita a 10 metros a altura dos demais edifícios da quadra. A regra restringe alterações de escala no entorno imediato da praça e mantém as construções vizinhas abaixo desse limite.
Para Gimenes, Pinheiros tem poucas praças e áreas públicas destinadas à permanência, apesar do crescimento imobiliário do bairro. O arquiteto cita o Largo da Batata, que considera pouco atrativo mesmo após a reforma realizada na década passada, e avalia que a Praça Igarapé se insere em uma região com vida de rua e demanda por espaços de convivência.


