A reversão do Rio Pinheiros foi associada à geração de energia e à transformação da várzea de São Paulo. Segundo estudo do Grupo Hímaco publicado em 2014, a enchente de fevereiro de 1929 atingiu as bacias dos rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí.
Conhecido anteriormente como Jeribatiba ou Jurubatuba, o rio era navegado por povos indígenas; mais tarde, jesuítas passaram a chamá-lo Pinheiros. Suas margens também abrigavam atividades econômicas e esportivas.
A empresa canadense Light e o engenheiro Asa Billings estiveram ligados às intervenções no curso do rio, na capital paulista, a partir do século 20. A construção das usinas elevatórias de Traição e Pedreira começou em 1937.

A trajetória do rio se conecta à formação da Marginal Pinheiros, cujos primeiros trechos começaram a ser feitos em 1950 e foram concluídos nos anos 1970. Por causa da poluição, a reversão das águas hoje funciona apenas para conter cheias.
Do rio usado pela cidade à enchente de 1929
As águas do Rio Pinheiros abasteciam chácaras e apoiavam atividades econômicas instaladas em suas margens. A argila extraída do leito era usada por olarias, enquanto a areia servia à construção civil.
Até a metade do século 20, o rio também recebia atividades esportivas. As margens sediavam provas de remo e natação promovidas pelo antigo Sport Clube Germânia, instituição que passou a se chamar Clube Pinheiros.
Esses usos aparecem na história da ocupação das várzeas paulistanas, abordada na tese de Odette Seabra sobre os rios Tietê e Pinheiros. O curso d’água reunia, assim, atividades ligadas ao abastecimento e à produção, além de práticas esportivas.
Reversão para gerar energia e construção da Marginal Pinheiros
A enchente de 1929 deixou centenas de desabrigados após o transbordamento das bacias dos rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí. A linha alcançada pela cheia máxima foi usada pela Light como referência para obter áreas alagadiças.
Uma lei permitiu à empresa retificar o curso do Pinheiros, aterrar a várzea e desapropriar terrenos sujeitos a alagamentos. Com esse limite, a Light ficou com milhões de metros quadrados, conforme a reconstrução histórica apresentada nas pesquisas sobre a transformação das várzeas paulistanas.
O pico da enchente ocorreu dias depois do fim das chuvas, quando a Light abriu as comportas de suas represas. A manobra antecedeu as intervenções que alteraram o funcionamento do rio e se relacionaram à produção de energia.
Na operação descrita nas referências históricas, a água era bombeada contra o curso natural do rio e seguia pelos tubos da Usina Henry Borden, em Cubatão. A construção das pistas da Marginal Pinheiros avançou em etapas, entre os primeiros trechos iniciados em 1950 e a conclusão nos anos 1970.

